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Randomização é um sorteio: o acaso, e não o cirurgião, decide qual tratamento cada paciente recebe. É o único recurso de desenho que equilibra também os fatores que ninguém pensou em medir.

Resumo em 30 segundos
  • A randomização equilibra fatores conhecidos e desconhecidos entre os grupos.
  • A ocultação da alocação impede que o próximo sorteio seja antecipado.
  • Alternar pacientes ou usar número de prontuário não é randomizar.
Pacientes elegíveiscritérios preenchidos
Sequência de alocaçãogerada por computador
Alocação ocultadacentral ou envelope opaco
Gruposintervenção vs controle
Análisepor intenção de tratar
A sequência é gerada antes do início do recrutamento e fica oculta de quem inclui o paciente.
1

Randomização simples

Um sorteio para cada paciente, como jogar uma moeda. É direta, mas em estudos pequenos pode deixar grupos de tamanhos bem diferentes.

2

Randomização em blocos

O sorteio acontece dentro de blocos — de quatro ou seis, por exemplo — para que os grupos fiquem equilibrados ao longo de todo o recrutamento. O tamanho do bloco deve variar e não ser conhecido por quem recruta.

3

Randomização estratificada

Sorteios separados dentro de estratos que importam para o desfecho (centro, estádio, faixa etária), para que um fator prognóstico não se acumule em um braço.

4

Randomização por conglomerados

A unidade sorteada é um hospital, uma enfermaria ou um cirurgião, e não o paciente. Exige amostra maior e análise que leve o agrupamento em conta.

✓ É randomização: sequência gerada em software, mantida em serviço central ou em envelopes opacos, lacrados e numerados em sequência.
✗ Não é randomização: alternar pacientes, prontuário par e ímpar, dia da semana ou data de nascimento — todos podem ser antecipados.
Ocultação não é cegamento. O cegamento esconde qual tratamento foi dado depois da alocação; a ocultação esconde qual será a próxima alocação antes de o paciente entrar. Um ensaio pode ser impossível de cegar — como quase todo ensaio cirúrgico — e ainda assim ter ocultação impecável.

Perguntas frequentes

Ensaio cirúrgico pode ser randomizado?

Pode, e a ABCD publica vários. O que muda é o cegamento: com desfechos objetivos e avaliadores cegos, o ensaio cirúrgico continua válido mesmo quando paciente e cirurgião sabem qual foi o procedimento.

Devo testar as diferenças basais com valor de p?

Não. Se a alocação foi aleatória, qualquer diferença é do acaso por definição. Descreva os grupos e ajuste pelas variáveis prognósticas definidas no protocolo.

E se um grupo ficar maior que o outro?

Com randomização simples isso é esperado em amostras pequenas. A randomização em blocos evita; tamanhos diferentes, por si só, não invalidam o ensaio.

✍️

Texto de Francisco Tustumi, cirurgião do aparelho digestivo (FMUSP), editor associado da ABCD.

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ABCD – BRAZILIAN ARCHIVES OF DIGESTIVE SURGERY is a periodic with a single annual volume in continuous publication, official organ of the Brazilian College of Digestive Surgery - CBCD. Technical manager: Dr. Francisco Tustumi | CRM: 157311 | RQE: 77151 - Cirurgia do Aparelho Digestivo

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