Não! — e a diferença importa. Os dois termos aparecem o tempo todo em artigos científicos, muitas vezes como sinônimos. Não são. Um exemplo cirúrgico deixa tudo claro: de cada 100 esofagectomias, 7 pacientes morrem no pós-operatório.
É o evento dividido por todas as possibilidades: 7 mortes em 100 operados.
7 / 100 = 7%É o evento dividido pela não ocorrência: 7 mortes para 93 sobreviventes.
7 : 93 = 0,075No jogo de cara ou coroa: a probabilidade de sair cara é ½ (50%); a chance é 1:1. Medidas como mortalidade pós-operatória, taxa de complicações e risco de deiscência são probabilidades; o odds ratio dos estudos caso-controle é chance.
Porque a amostra é montada a partir do desfecho: as frequências de doença não refletem a população, e só o odds ratio permanece válido.
Quando o desfecho é raro (regra prática: prevalência abaixo de ~10%), OR e RR ficam numericamente próximos.
A chance do evento no grupo exposto é o dobro da chance no grupo não exposto — chance, não probabilidade.
Texto de Francisco Tustumi, cirurgião do aparelho digestivo (FMUSP), editor associado da ABCD.
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