O “major revision” não é uma rejeição — é um convite. A maioria dos artigos aceitos passou por uma boa carta de resposta. A diferença entre aceite e rejeição, nessa fase, costuma estar mais na resposta do que no artigo.
Revisores trabalham de graça. Uma frase objetiva de agradecimento abre a carta; bajulação não.
Formato ponto a ponto: comentário do revisor em itálico, sua resposta, e a mudança com página/linha. O editor precisa conferir em segundos.
Mesmo sugestões que parecem detalhe. Cada “done” aproxima o aceite.
Quando o revisor estiver errado, responda com referências e números, com respeito. “Concordamos parcialmente...” seguido de evidência funciona; ironia nunca.
Releia a carta como se fosse o editor: todas as questões têm resposta? Todas as mudanças estão localizadas no manuscrito?
Exponha o conflito ao editor com neutralidade, proponha a solução que julga melhor e justifique — o editor decide.
Não. Mas cada recusa precisa de justificativa técnica educada; recusar sem argumento é o caminho mais curto para a rejeição.
Proporcional à revisão: cartas de resposta de artigos aceitos frequentemente têm o tamanho do próprio manuscrito.
Texto de Francisco Tustumi, cirurgião do aparelho digestivo (FMUSP), editor associado da ABCD.
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